Após nos apresentar o mundo das drogas legais e ilegais com “Réquiem para um Sonho” (2000), e a história de um lutador veterano que não consegue abandonar sua antiga vida de lutas em “O Lutador” (2008), o diretor Darren Aronofsky nos introduz ao mundo do balé, mostrando a história de uma bailarina que só queria ser perfeita.
Em “Cisne Negro”, acompanhamos Nina (Natalie Portman), uma bailarina extremamente dedicada e perfeccionista, que vive com a mãe Erica (Barbara Hershey) super protetora que a trata como uma criança, mesmo que Nina tenha 28 anos.Após a declaração de aposentadoria da principal bailarina da academia e sua inspiração Beth MacIntyre (Winona Ryder), Nina é escolhida pelo diretor artístico da companhia Thomas Leroy (Vicent Cassel) para o papel de rainha dos cisnes, o qual interpretaria a cisne branca e cisne negra no espetáculo de abertura de temporada. O espectador é levado a conhecer o mundo agressivo e competitivo do balé profissional, vemos como é difícil lidar com a pressão de ser perfeita em tudo, já que sua mãe vê em Nina a bailarina que sonhou ser, e abdicou desse sonho para criar a filha.
“A única pessoa em seu caminho é você.”
-Thomas Leroy
Darren Aronofsky nos põe sempre em dúvida se Lilly (Mila Kunis) está querendo ajudar Nina a sair do seu redemoinho de emoções ou se quer roubar seu papel, já que esta consegue interpretar perfeitamente a cisne negra, parte do papel que Nina é incapaz de fazer já que se preocupa muito com sua técnica, vemos seu estresse diário e seus conflitos emocionais em Nina representados por suas alucinações que parecem muito reais aos olhos do espectador, sempre nos pondo em dúvida quanto a autenticidade dessas imagens.
A fotografia do filme é espetacular, os enquadramentos de câmera, sempre mostrando a personagem dividida quanto ao seu lado negro e branco, utilizando para esse efeito espelhos, luzes e figurino sempre representando Nina com roupas brancas e tons claros e Lilly com roupas pretas e tons escuros, o trabalho de luz e sombras ficara muito bem feitos, e em conjunto da trilha sonora nos deixam presos ao filme.
A atuação de Natalie está soberba, nos mostrando a que ponto se pode chegar alguém para atingir a perfeição, nos emocionando com cada conquista colhida de seu esforço diário, e cada não por não ser boa o suficiente. Milla Kunis se mostra a contraparte perfeita de Nina, se utilizando de um figurino preto e encarnando uma personalidade de quem está despreocupada, nem aí para os seus compromissos, em suma as atuações são fantásticas passando a emoção necessária para o espectador. Finalizando Cisne Negro é um excelente thriller psicológico, que nos deixa preso minuto a minuto, esperando para descobrir se Nina conseguirá ser perfeita, se os acontecimentos são reais ou são alucinações e se Lilly é uma ponte para a saída de seu mundo perfeito e infeliz ou se quer apenas seu papel e nos de ver uma incrível transformação de menina tímida e submissa para uma mulher sensual e confiante. Um dos melhores filmes do ano, se não o melhor, não percam essa jornada de autodescobrimento de Nina e seu caminho para ser apenas perfeita.
“Eu estava perfeita...”
-Nina Sayers


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